segunda-feira, 27 de julho de 2009

o conceito de livro e a Gincana Cultural Contando Memórias.

Pensando sobre temas que dizem respeito à "Gincana Cultural Contando Memórias", por muitas vezes chegamos a nos deparar com idéias que, apesar de sinalizarem para uma solução, acabam por parecer, em um primeiro momento, insolúveis. Contudo, por estarmos, creio eu, em um momento de criação e discussão acerca de linguagem, metodologia, cultura, entre tantos outros aspectos, parece ser importante que tenhamos fôlego para ao menos seguirmos estas idéias, e por fim ver onde elas desembocam.

Esta introdução, que talvez se pareça mais com um pedido de desculpa do que com uma abertura de um texto, quer na verdade chamar para pensarmos em uma questão específica acerca da Gincana Contando Memórias. Sabemos que boa parte dos grupos inscritos neste evento não possui como primeira forma de expressão cultural a linguagem, o que não significa, de maneira alguma, que suas expressões sejam menos ricas ou menos culturalmente elaboradas. Temos, também, conhecimento de que o produto final desta gincana seria a elaboração de um livro virtual que contenha as histórias que dizem respeito àquele grupo, ou seja, um livro que traga em si a memória de uma determinada comunidade.

O que eu me arriscaria a propôr é que pensemos no conceito de livro de uma forma um pouco mais abrangente, talvez próxima do conceito que se conhece como livro-objeto. Talvez, se aceitássemos o livro como algo que abriga mais do que uma história manifestada por meio da linguagem, como algo que pode trazer em si experiências visuais, experiências sonoras, experiências estéticas, que podem ser potencializadas pelo fato de tratar-se de um livro virtual, talvez, então, as expressões culturais de tais grupos possam ser enfatizadas de forma mais próxima do real, e a transmissão destas culturas e destas memórias se dê mais satisfatoriamente.

Reitero, porém, o que disse no início deste texto: idéias que se pretendiam soluções podem se tornar problemas quando confrontadas com o real. Porém, acho que existe valor em seguirmos até certo ponto algumas idéias, pois o meio que elas percorrem pode, algumas vezes, ser mais rico e proveitoso que o fim ao qual elas nos conduzem.

5 comentários:

  1. Ei Lara!
    Gostei do conceito de livro objeto.
    Mas ficaram algumas dúvidas: como seria a apresentação do material virtualmente? Seria necessária a esquematização do livro com roteiros, índice, etc?
    Beijos,
    Rennan

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  3. Achei bem interessante também.
    Quanto à dúvida do Rennan, eu já tinha imaginado que o roteiro, num livro objeto, seria, de certa forma, mais arbitrário. A construção do livro seguiria uma lógica pertencente só ao criador. Nós, os leitores, ressignificaríamos o conteúdo e a forma a cada leitura, que também imagino nunca ser a mesma.
    É assim mesmo, Lara? Ou imaginei demais?..

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  4. ei Lara,
    to querendo saber tambem como seria isso.
    gostei bem da ideia
    como podemos viabiliza-la?
    mas temos que pensar nos criadores/autores dos livros.........

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  5. Olá Lena, Fernando e Rennan!
    O que eu havia pensado, na questão do Livro Objeto, seria que optássemos por uma construção de livro - como material estético mesmo - mais livre, que não se prendesse tanto a enredo e que se permitisse contar as memórias de formas distintas. Se pensássemos, por exemplo, na produção final do NUC, grupo de hip hop participante da gincana, poderíamos ir pelo caminho de um livro que tivesse em si também botões virtuais, que ao serem acionados tocassem vídeos ou músicas referentes ao grupo, por exemplo. Poderíamos pensar também em um livro que tivesse em sua própria estrutura outros elementos que remetessem à cultura do grupo - por exemplo uma estética que lembrasse a arte de rua, como o grafitti - mas tudo, é claro, a depender do desejo e da criação dos grupos. acho que esta idéia iria também pelo caminho de que grande parte da produção dos grupos ao longo da gincana fosse aproveitada, inserida em algum contexto do livro, tornando esta experiência mais rica.
    Quanto à questão do roteiro, havia imaginado algo mais ou menos como o Fernando falou, de forma mais arbitrária e livre.
    No mais, são só idéias muito iniciantes, que, se forem do interesse de todos, poderíamos discutir e aprimorar...
    abraços!

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